Agosto de 2009. 10 anos.
Como o tempo passa rápido. Ainda não consigo entender porque você se foi. Perdoe-me por não ter ido ao hospital te visitar. Eu não teria suportado te ver daquele jeito. Mas também me arrependo, pois teria te visto pela última vez falando. Até hoje quero saber qual foi o recado que você deu a enfermeira para dar a mãe e nós não sabemos de nada porque nunca conseguimos encontrar a tal enfermeira.
Sinto tanto a sua falta... Era invejável a sua força de vontade em sempre superar todos os obstáculos que surgiam em sua frente, qualquer dificuldade parecia pequena diante da sua força, mas infelizmente a maior de todas você não suportou.
Sempre me sentia feliz quando te via com a auto-estima lá no teto! O modo como defendia mãe das investidas violentas de pai.
É irmão, as coisas por aqui estão horrorosas, sabe quando você não tem ânimo para nada? Assim estou sem saber o que fazer profissionalmente. Às vezes me pego olhando tuas fotos, lembrando das suas risadas, dos assobios, dançando forró, vivia fazendo presepadas. Lembro do teu último assobio, da última risada, do último brilho no olhar, como você estava vestido com uma camiseta regata de cor preta, bermuda jeans azul, basqueteira branca com detalhes em vermelho.
Sua última frase foi: “A bênção mãe? Não vou demorar, vou até Ponta Negra e já volto. Quando chegar, tomo banho e janto”.
Era precisamente dezoito horas e trinta e cinco minutos, segunda, 1° de Agosto de 1999. Não vou esquecer tudo o que aconteceu, quando uma viatura chegou com tua bicicleta toda empenada. Estava lavando louça. De longe reconheci tua bike nas mãos de um policial e pedi para mãe ir até a viatura saber o que tinha acontecido. Ela não acreditou no que os policiais disseram. Telma foi com ela até o Walfredo Gurgel saber como você estava e voltou dizendo que seu caso era grave, teve traumatismo craniano encefálico, ou seja, morte cerebral, só o coração funcionava. Na época eu não sabia que nesses casos, não há reversão, aguarda-se apenas a morte total e o corpo fica apenas ligado nos aparelhos para possível doação de órgãos, pai nem mãe quiseram fazer a doação, mas tiraram. Senti quando você estava morrendo, foi uma dor terrível... Se algum dia te fiz algum mal, me perdoa. Não é fácil falar essa palavra nem praticá-la. Você sabia quantas mágoas eu tinha e que ainda existem muitas. Daria a minha vida para te ter de volta. De uma coisa tenha certeza: te amo muito viu, e nunca te esquecerei. Você será eternamente lembrado enquanto vida eu tiver.
Sua partida ate hoje dói demais. Várias vezes sonhei com você, e em sonho conversávamos, mas não ouvia tua voz. Sempre acordava chorando.
E hoje, como estás?